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A mulher no mercado imobiliário – por Diana Hattum

Começamos refletindo a respeito do artigo citado abaixo datado de Junho de 1850, o qual deixava claro que somente homens podiam exercer a profissão de corretor. Graças à revogação de 1958, as mulheres passaram a ter o direito de atuar no mercado imobiliário, enfrentando dia-a-dia questões sociais, econômicas e culturais.

CCOM – Lei nº 556 de 25 de Junho de 1850

Parte revogada pela Lei 10.406, de 10.1.2002

Art. 37 – Não podem ser corretores:

2 – as mulheres;

(Revogado)

O trabalho feminino no mercado imobiliário foi crescendo exponencialmente a partir da década de 70 e somente na década de 90 começamos a perceber uma maior participação. Segundo pesquisas do Sistema COFECI-CRECI e FENACI as mulheres passaram a compor cerca de 30 a 40% dos profissionais inscritos no país no início dos anos 2000.

Não somente a participação da mulher no mercado de trabalho aumentou como percebemos várias mudanças ao longo das décadas. As novas tecnologias, por exemplo, nos auxiliam nos dias de hoje e seu desenvolvimento paralelo ao crescimento profissional da mulher trouxe grande interesse feminino em acompanhar o mercado, buscando cada vez mais aprimoramento e novas possibilidades.

Diante do fato de que as mulheres lutaram (e lutam!) muito para conseguir voz ativa e espaço, se tornaram mais resilientes. Além das fortes características femininas de dedicação, organização e disciplina, a resiliência e a força precisam estar como protagonistas ainda por um bom tempo.

Eu mesma já passei por situações onde a minha capacidade foi colocada em jogo, e não somente por pessoas desconhecidas. Tentaram impor a mim que eu não conseguiria dirigir uma empresa, ou outras conquistas que tive foram diminuídas por pessoas muito próximas. Não me deram ouvidos em reuniões no passado, alguns clientes já pediram para negociar com um homem. Isso tudo é um absurdo, mas eu não desisti! Já vi colegas minhas passarem pela mesma situação, e isso faz com que tenhamos que nos impor ainda mais, com maior esforço e cautela.

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Vejo a questão culturalmente enraizada, onde somos por vezes colocadas como frágeis, ingênuas ou até incapazes de realizar como se tirássemos o direito dos outros realizarem também. O mundo tem espaço para todos, de todos os sexos, ideias e valores.

São inúmeros os desafios que a mulher enfrenta, começando pela dupla jornada de trabalho. Algumas mulheres encontraram na profissão de corretora a possibilidade de conciliar mais facilmente sua jornada em casa e no trabalho. Embora esta profissão não dê direito à licença maternidade, ela promove maior autonomia e através de uma boa organização financeira se tornou possível cumprir as duas tarefas. Mesmo assim, sabemos que este não é o cenário ideal – e está longe de ser. Segundo dados do IBGE, em 2016 a taxa de realização dos afazeres domésticos era de 90,6% das mulheres e apenas 74,1% dos homens. Em 2017, o número melhorou um pouco, passando de 92,6% das tarefas executadas por mulheres, e 78,7% dos homens. Ainda temos bastante a evoluir.

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A mulher no mercado imobiliário de fato transforma, e não somente as corretoras de imóveis mas todas as mulheres que lutam para a melhora do mercado como um todo. Exemplos de grandes líderes como Lívia Rigueiral (Homer Parcerias) e Liliana Ferrarese (Liliana Ferrarese Imóveis, em Portugal), me inspiram e provam nossa grande capacidade de realização. Conheço muitas corretoras que executam seu trabalho com primor e cuidado pelos seus clientes, e isso faz toda a diferença para o mercado atual.

Temos a habilidade de lidar todos os dias com situações completamente inesperadas, possuímos olhar crítico e sensível aos detalhes (uma corretora de imóveis consegue perceber de maneira sensível pequenos detalhes do imóvel que poderão fazer diferença para o futuro morador), empatia ao escutar as necessidades do cliente e a sede de busca por soluções criativas.

O meu conselho para a corretora que deseja se destacar como profissional é entender quais são os seus pontos fortes e usar de toda a sua força e habilidades em suas negociações. O mercado exige forças nas quais as mulheres já dominam, como habilidades de negociação e de comunicação, flexibilidade, olhar sensível e busca constante por aprimoramento. 

A tecnologia surgiu para ajudar à todas(os) e devemos constantemente buscar atualizações e dominar os conhecimentos técnicos da área, para que o trabalho tenha maior fluidez e o cliente tenha confiança sobre o que está sendo feito. Tendemos a evoluir cada dia mais para a conscientização de que o mercado tem espaço para todo mundo. A mulher é a grande protagonista de sua própria história, devendo ser respeitada e valorizada.


Diana Hattum é fotógrafa e a 5 anos atua no mercado imobiliário. Fundadora da Dicastanha Fotografia já fotografou cerca de 15.000 imóveis em São Paulo e Rio. Atualmente realiza workshops com o intuito de agregar valor e conhecimento à todos os profissionais do mercado imobiliário.


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